A importância da leitura para o Direito

Por Ricardo Martins via LinkedIn 


Os estudantes de Direito, hoje em dia, leem cada vez menos. Muitos se limitam a assistir a vídeos ou ouvir podcasts, como se isso fosse suficiente para uma formação sólida. Não é. No Direito, o profissional é exatamente aquilo que ele lê.

É extremamente difícil — para não dizer improvável — que alguém se torne um profissional de destaque na área jurídica sem leitura intensa, constante e qualificada. Leitura é bagagem intelectual, é densidade, é o que diferencia a opinião rasa do argumento consistente. Sem leitura, não há profundidade; sem profundidade, não há excelência.

É verdade que, por diversas circunstâncias, muitas pessoas não desenvolvem desde cedo o hábito da leitura. Mas isso não é uma sentença definitiva. O gosto pela leitura pode — e deve — ser estimulado, sobretudo no Direito, onde ler não é opcional, é condição de sobrevivência profissional.

O profissional que lê pouco será inevitavelmente raso. O advogado que não lê corre o risco de se tornar um mero despachante: cumpre prazos, resolve questões burocráticas e movimenta processos, mas encontra sérias dificuldades para construir teses, interpretar criticamente e sustentar debates jurídicos complexos.

E há um erro ainda mais comum: acreditar que basta ler apenas Direito. O jurista que se limita aos códigos acaba pensando como um código — rígido, previsível e frequentemente desconectado da realidade social. Uma formação jurídica sólida exige diálogo com a literatura, a filosofia, a história, a sociologia e a arte.


A literatura revela a complexidade da alma humana. A filosofia provoca, questiona e refina o raciocínio. A arte amplia a sensibilidade e o olhar crítico sobre o mundo. É nesse contato com as humanidades que o profissional desenvolve empatia, capacidade argumentativa e compreensão profunda dos conflitos que chegam ao Judiciário.

Vídeos e podcasts podem ajudar? Sem dúvida. Mas são complementos, não alicerces. O Direito se constrói com páginas lidas, ideias confrontadas e argumentos amadurecidos ao longo do tempo.

Direito é técnica, mas é, acima de tudo, ciência humana. E ciência humana sem humanidades vira apenas burocracia sofisticada. Ler fora do Direito não é perda de tempo. É formação de alto nível — e o verdadeiro diferencial de quem pretende ir além do básico.

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